Multa de R$ 50 mil por dia aos “influencers” sem noção

Projeto multa de R$ 50 mil por dia a influenciadores que, sem qualquer formação, método ou responsabilidade, transformaram as redes sociais num lixão.

Mais uma vez recorro ao nosso grupo de jornalistas “Folhers” – mais de 80 profissionais – para escrever este artigo. As manifestações começaram no início da manhã desta quarta-feira (17) e o barulho foi grande. Tema: influencers ou criadores de conteúdos digitais.

O deputado federal, Vicentinho Junior (PP/TO) protocolou na Câmara Federal um projeto que pode proibir influenciadores de produzirem conteúdos que exigem conhecimento especializado, como saúde e finanças.

Faltou inserir no projeto de lei, os “tais influencers jornalistas” que derramam lixo tóxico nas redes sociais e colocam cada vez mais para baixo os jornalistas que relatam, efetivamente, os fatos que acontecem no dia a dia para informar a sociedade.

Sim, o parlamentar ataca o problema pelo flanco certo. Ele propõe multa de R$ 50 mil por dia a influenciadores que, sem qualquer formação, método ou responsabilidade, transformaram as redes sociais num lixão de desinformação.

Esses tais “produtores de conteúdos digitais” confundem opinião com fato, achismo com notícia e engajamento com verdade. Não dominam a língua portuguesa, desconhecem princípios básicos do jornalismo e tratam boatos como se fossem revelações. O resultado é um público mal-informado, intoxicado por manchetes falsas, textos mal redigidos e versões convenientes da realidade.

Não conheço o conteúdo do projeto do parlamentar mas entendo que, neste caso, não se trata de censura, mas de responsabilidade com a informação que chega na casa do cidadão. Liberdade de expressão não é licença para espalhar ignorância em escala industrial. Quem informa precisa responder pelo que publica. Infelizmente, nas redes sociais esses influencers dominaram e virou terra de ninguém

Pelo que conheço, likes não pagam processos, mas desinformação causa danos reais. Uma boa notícia, opinativa ou mesmo informativa, não tem o alcance (visualizações) como tem esses influencers que brincam de jornalismo. Agora, se vingar a proposta, terão que pagar o preço. Brincar de jornalista precisa aprender que brincar custa caro. E que a verdade, diferente do algoritmo, exige apuração, estudo e caráter.

Vamos ficar na expectativa. Se o projeto vai adiante ou não, é outra discussão. Mas o recado está dado: a farra da irresponsabilidade digital começa, finalmente, a ser questionada.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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