Sobre a polêmica dos resultados da pesquisa Quaest, com Flávio Bolsonaro pontuando acima de Tarcísio, o cientista política e analista de pesquisas de opinião pública, professor Emerson Cervi escreve: prudência. Veja só:
1 No atual momento, faltando 10 meses para o voto, as pessoas respondem as perguntas de intenção de voto mais por memória do que por decisão objetiva.
- A memória social é estimulada por presença de imagens nos espaços públicos, pincipalmente meios de comunicação.
- O instituto que apresenta os resultados tem, por decisão empresarial legítima, produzir pesquisas que medem efeitos de ocorrências públicas na opinião do público. Repito, isso é legítimo.
- Mas, tem como efeito a tendência de favorecer quem está, em determinado momento, com imagem mais presente nos espaços públicos e, por consequência, será mais lembrado pelos eleitores.
- Então, se a pesquisa foi realizada poucos dias depois que Flávio teve presença massiva em meios de comunicação como o pré-candidato escolhido, seria esperado que ele aparecesse nas pesquisas.
- Sendo assim, é preciso esperar as próximas medições para saber se isso é tendência mesmo ou apenas um ‘pico momentâneo’ gerado pela corrente de opinião.
- O que não exclui o fato de que Tarcísio, há quase um ano, está ‘patinando’ nos mesmos patamares de intenção de voto, apesar da grande visibilidade pública que teve nacionalmente no período. Em especial nas respostas espontâneas ele não consegue passar de 2% de citações, enquanto Flávio Bolsonaro chegou a 6% logo após o anúncio de sua pré-candidatura.
- Outro fato que não pode ser desconsiderado é que junto com o surgimento de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto também houve crescimento dos percentuais de Lula. Na espontânea Lula aparece em dezembro com 20%, 6 pontos percentuais a mais que novembro, quando tinha 14%. Em nenhum momento Lula apresentou uma variação tão grande como essa (nem para cima, nem para baixo), nas respostas espontâneas.
- A sugestão que eu deixo é, nesses casos de intenção de voto, sempre diferencie pesquisas que são feitas em intervalos de tempo pré-estabelecidos das pesquisas que visam medir a ‘temperatura’ de momento. Na série histórica, as segundas sempre são menos precisas que as primeiras.





