Avaliação mostra precariedade na formação médica

Um terço das 351 escolas avaliadas receberam nota 1 e 2 no Enamed. Entre as 21 avaliadas no Paraná, três tiveram resultado insatisfatório; seis tiveram nota máxima.

O Brasil tem hoje quase 500 escolas de medicina, muitas delas funcionando sob liminares judiciais, e outras tantas na expectativa de ingressar nesse mercado milionário, onde cada vaga é contabilizada em dólar. E muito. Em 2025 nós tivemos inaugural o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), versão semelhante a outras atividades de formação profissional. O Ministério da Educação e Cultura, por meio do INEP, realizou o tal exame avaliando nada menos do que 351 cursos, sendo que pelo menos 30% deles estão na faixa considerada insatisfatória. Receberam nota 1 ou 2, o que implica em punições como suspensão ou abertura de vagas e restrição no Fies.

O anúncio do resultado foi feito nessa segunda-feira (19) pelo ministro Camilo Santana, da Educação, que indicou participação de cerca de 89 mil alunos entre aqueles que estão concluindo a faculdade e em outros semestres. Dos alunos concluintes, que são aqueles que estão perto de ingressar no mercado de trabalho e atender a população, 67% entre os 39 mil foram considerados com resultado “proficiente”. Ou seja, na avaliação, mostraram conhecimento suficiente. Nada menos do que 24 cursos tiveram o conceito Enade 1, o menos índice e que mostra a precariedade do ensino. Outros 83 tiveram o conceito 2, igualmente considerado inaptos. Deste modo, aproximadamente 13 mil alunos, não conseguiram resultado satisfatório.

O Paraná tem hoje quase três dezenas de cursos de medicina, sendo que 21 delas tiveram participação no processo de avaliação. A Uningá, de Maringá, a Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), de Foz, e a Unipar, de Umuarama, tiveram nota 2 e se posicionaram entre as piores do Estado.

A nota máxima, 5, foi alcançada UFPR de Toledo, Pequeno Príncipe (Curitiba), Positivo (Curitiba), Unicentro (Guarapuava) , Universidade Estadual de Ponta Grossa e Estadual de Maringá. Com nota 4 ficaram UEL (Londrina), FAG (Cascavel), Unicesumar (Maringá), PUC Curitiba, Unioeste Cascavel, Unioeste Francisco Beltrão, Campo Real (Guarapuava) e Evangélica Mackenzie (Curitiba). Com nota 3, índice mediano, ficaram PUC Londrina, Unidep (Pato Branco) e Integrado (Campo Mourão).

No último fim de semana, antes da divulgação, uma entidade que representa universidades particulares entrou na Justiça para barrar a divulgação dos resultados, mas perdeu. O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) é uma prova anual para medir o desempenho dos estudantes e a qualidade do ensino. Ao todo, 351 cursos foram avaliados e 30% estão na faixa considerada insatisfatória.

As piores avaliações, concentradas nas faixas 1 e 2, aparecem principalmente em cursos de instituições públicas municipais, onde 87,5% ficaram nos conceitos mais baixos. Também tiveram desempenho fraco as instituições privadas com fins lucrativos, com 58,4% dos cursos nas faixas 1 e 2, e as chamadas instituições especiais, que somaram 54,6% nessas mesmas faixas. As privadas sem fins lucrativos registraram um terço dos cursos com conceitos considerados insuficientes. Já os melhores resultados, nas faixas 4 e 5, ficaram concentrados sobretudo no setor público federal e estadual.

O que vai acontecer?

As instituições com conceito 1 ou 2 no exame estarão sujeitas a penalidades. Cursos com conceito 2 terão redução de vagas para ingresso. Já aqueles com conceito 1 terá suspensão total do ingresso de novos estudantes.

Em reunião com a imprensa nesta segunda-feira, o ministro Camilo Santana informou que dos 107 cursos, apenas 99 vão passar por penalidades porque as faculdades estaduais e municipais não estão sob a gerência do ministério.

O que acontece agora com as faculdades:

  • 8 faculdades não vão mais poder receber alunos, estão suspensos do Fies e de outros programas federais;
  • 13 faculdades vão ter que reduzir pela metade o número de vagas e também estão suspensos do Fies e de outros programas federais;
  • 33 faculdades vão ter que reduzir em 25% o número de vagas, além de estarem suspensos do Fies e de outros programas federais;
  • 45 faculdades não podem mais aumentar o número de vagas.

Conforme Camilo Santana, as universidades vão ter um prazo para apresentar uma defesa e reforçou que a proposta com o curso é garantir a qualidade do ensino, protegendo a população que, depois, é assistida por esses profissionais. “É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que a gente possa fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino”, disse Camilo.

A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) informou que acompanha a divulgação dos resultados do Enamed e que análises preliminares feitas por instituições de diferentes regiões do país apontam divergências entre os dados apresentados como insumos em dezembro e os números divulgados agora. A entidade disse que vai aguardar esclarecimentos técnicos do Ministério da Educação e do Inep antes de qualquer “manifestação conclusiva sobre o balanço”.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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