Teve início em 13 de janeiro de 2026 consulta pública conduzida pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), órgão do Ministério da Saúde responsável por avaliar quais exames, medicamentos e procedimentos devem ser incorporados ao SUS com base em evidências científicas, impacto clínico e custo-efetividade. A votação segue aberta até 2 de fevereiro e permite que a sociedade contribua com a análise da incorporação do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres com câncer de mama.
O exame de NGS para BRCA1/2 é uma tecnologia genética de alta precisão que utiliza análise molecular e computacional para identificar mutações hereditárias associadas ao câncer de mama. Essas informações são determinantes para a definição de condutas clínicas, como indicação de cirurgias redutoras de risco, escolha de terapias-alvo e orientação do acompanhamento de familiares. Estudos consolidados e consensos clínicos da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) indicam que cerca de 5% a 7% das mulheres com câncer de mama apresenta mutações relevantes nos genes BRCA1 ou BRCA2.
No Brasil, estimativas baseadas em dados epidemiológicos do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e em diretrizes da própria SBM apontam que aproximadamente 27 mil mulheres diagnosticadas anualmente com câncer de mama apresentam critérios clínicos para avaliação genética, como diagnóstico em idade jovem, tumores de comportamento mais agressivo ou histórico familiar sugestivo. A incorporação do NGS ao SUS permitiria identificar essas pacientes de forma mais precoce, qualificando decisões terapêuticas e estratégias de prevenção secundária.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Henrique Lima Couto, a consulta pública é um passo decisivo para a Mastologia brasileira. “O teste genético para BRCA1 e BRCA2 já faz parte da prática moderna e é garantido na Saúde Complementar (planos de saúde). Ele muda a história natural da doença ao orientar cirurgias, tratamentos e o cuidado preventivo em familiares”, afirma. Em outra avaliação, o especialista reforça: “Quando o SUS amplia o acesso a exames genéticos com base em critérios clínicos bem definidos, ele promove equidade, reduz tratamentos tardios e fortalece uma medicina mais personalizada e eficiente”.
A participação social é considerada essencial no processo de decisão da Conitec. A consulta pública segue aberta até 2 de fevereiro, e a manifestação da população pode influenciar diretamente a decisão final sobre a incorporação da tecnologia ao SUS.
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