Tema foi destaque no primeiro dia de atividades do legislativo estadual e gerou consenso sobre legitimidade de revolta dos usuários. São nove pórticos. Órgãos federais serão oficiados.
A Assembleia Legislativa do Paraná, com consenso de situação e oposição, abraçou os reclamos dos usuários das rodovias contra os pórticos eletrônicos – pedágio free flow – que estão sendo instalados com mudanças dos pontos de cobrança, em iniciativa entendida como estritamente arrecadatória. Após a sessão plenária de segunda-feira (2), o presidente da Casa, Alexandre Curi, conclamou os colegas a aderirem ao requerimento cobrando explicações à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o TCU (Tribunal de Contas da União) e o Ministério dos Transportes.
A instalação da tecnologia, aliás, foi o principal tema discutido na Tribuna durante a primeira sessão plenária de 2026. Ao todo, dez parlamentares que integram tanto a base quanto a oposição elencaram problemas na implementação do sistema no Estado. Entre as críticas estão a discrepância entre a localização dos pórticos eletrônicos e as praças físicas e os possíveis impactos para moradores lindeiros, que podem pagar tarifa cheia em deslocamentos curtos. Informações repassadas aos usuários indicam que a tarifa poderá ser integral, e não proporcional ao trecho percorrido.
Os deputados alertam como as alterações afetam, na prática, a vida de cidadãos paranaenses que antes não precisavam pagar pedágio e que passariam a ser cobrados mesmo em pequenos trajetos. Recuar ou antecipar os pórticos não fazia parte do Programa de Exploração da Rodovia (PER), como alertam, assim como a instalação do sistema free flow. Queixas vêm de vários locais, como Rolândia, Mauá da Serra em Marialva, estas na BR-376. Nessas regiões os moradores e usuários já mobilizaram as lideranças políticas sob a indignação de que terão de pagar pedágio cheio em intervalos curtos de deslocamento, impactando todos os segmentos.
Conforme o deputado Hussein Bakri (PSD), líder do governo na Alep, o tema é tratado de forma prioritária pelo Executivo. “O secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex, está reunido com a empresa. O governo do Estado tem uma posição oficial contrária a esse procedimento. Entende que é lesivo aos interesses públicos. Ele vai fazer a sua parte. Mas o governador não pode ‘canetear’; quem deve fazer isso é a ANTT”, ponderou. “Não podemos aceitar que eles alterem a localização dos pórticos de cobrança de forma irresponsável”, completou o vice-líder do Governo, deputado Marcelo Rangel (PSD).
O sistema free flow (fluxo livre) é um de pedágio eletrônico que elimina cancelas e praças físicas, usando pórticos com câmeras e sensores para identificar veículos por TAG ou leitura de placa (OCR) e cobrar a tarifa automaticamente. Permite passagem sem parar, com pagamento via aplicativos, sites ou fatura, evitando multas por evasão. No Paraná, como indicado pelas concessionárias, os usuários terão até 30 dias para efetuar o pagamento da tarifa após a passagem do veículo pelos pórticos, sob pena de receber multa por evasão. Serão novo pontos de registro automático de cobrança.





