Advogada de Cascavel conta como salvou a mãe e primo em incêndio

Quase quatro meses após incêndio e poucos dias depois de deixar hospital, Juliane Vieira concedeu entrevista ao Fantástico, da TV Globo.

Reverenciada pelo seu ato de heroísmo, ao salvar a mãe e o primo menor em incêndio que destruiu o apartamento da família, no 13°andar de um prédio de Cascavel, a advogada Juliane Suellem Vieira dos Reis, de 29 anos, concedeu sua primeira entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, no domingo (8). A jovem, que teve 63% do corpo queimado e passou mais de três meses internada, relembrou os acontecimentos e o sacrifício que a recuperação exige, tendo passado já por 20 cirurgias.

O acidente ocorreu no dia 15 de outubro e a jovem foi internada em estado gravíssimo, primeiro em hospital de Cascavel e depois no Universitário de Londrina, em área especializada de queimados. A mãe Sueli, de 51 anos, e o primo Pietro, de 4 anos, foram hospitalizados e tiveram alta logo depois, a exemplo de dois bombeiros que atuaram na operação. Ao deixar o HU, em 20 de janeiro, Juliane foi aplaudida pelos profissionais de saúde e acompanhada pela equipe que participou do tratamento. Quadros como o dela são estimados com apenas 20% de chance de sobrevivência.

Na entrevista ao canal televisivo, Juliane contou que foi o primo que a avisou do incêndio, que começou na cozinha. “Quando eu saí do quarto, eu já vi que tinha um fogo grande. O Pietro estava do outro lado do fogo, peguei ele no colo, tentei sair pela única saída, a saída principal, mas ela estava trancada”, descrevendo que, em seguida, foi até a janela e subiu no suporte de ar-condicionado, do lado de fora. Depois, pegou o primo e o colocou na janela do apartamento de baixo.

Juliane antes do acidente e no momento do resgate heroico no 13°andar do prédio.

“Falei para ele: ‘Fica quietinho e segura na redinha [de proteção]’. E assim ele obedeceu. E, por obra divina, a moradora do apartamento resolveu abrir a janela”, contou Juliana, que, para salvar a mãe, teve a ajuda do técnico em refrigeração Lincoln de Oliveira e do pedreiro Tiago Gomes, que viram o incêndio e foram ajudar. Enquanto a jovem segurava a mãe, eles a pegaram pela janela de baixo.

Vídeos gravados mostraram toda a ação dramática do lado de fora. O bombeiro Ademar de Souza Migliorini, que entrou pelo apartamento em chamas, foi quem puxou Juliane para o interior e a cobriu com um cobertor. Quando tentavam sair, porém, acabaram caindo e foram atingidos pelas chamas. O bombeiro teve queimaduras de terceiro grau e ficou internado por cinco dias.

A advogada, do período em que ficou internada, pelo menos durante um mês esteve em coma induzido, para se recuperar. Agora em casa, relatou os desafios a enfrentar. “Minha pele coça, está muito calor. Preciso tomar mais de um banho, dois banhos às vezes, por dia. E é difícil porque eu só tomo banho com o auxílio da minha mãe, por hora, mas com as minhas fisioterapias diárias eu estou retomando os meus movimentos, aos poucos, mas conseguindo”. Deve prosseguir no tratamento por pelo menos mais um ano, mas diz que espera voltar a advogar o mais breve possível.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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