Que houve exageros por parte dos carnavalescos da escola de Samba de Niterói, que homenageou o presidente Lula neste Carnaval, não podemos negar ou mesmo ignorar. Mas a pergunta que faço: Lula é o responsável ou é a escola de samba?
Lula não tem culpa por ter sido homenageado. Quem define enredo, estética, narrativa e tom é a escola de samba.
O homenageado não escreve o samba, não escolhe alegorias, não aprova fantasias nem controla metáforas. A autoria é integralmente de quem desfila.
Desde do seu início, quando surgiu, o Carnaval, por natureza, vive do exagero, da licença de liberdade de expressão. Sempre foi assim: santos viram demônios e demônios viram santos, vilões ganham destaques, heróis são elevados ao máximo.
Agora, quando o enredo trata de política, essa lógica não muda — apenas incomoda mais quem discorda do personagem escolhido.
Transferir a responsabilidade ao homenageado é uma forma conveniente de politizar o desconforto e deslocar o debate. Se houve excesso, provocação ou leitura enviesada, isso diz respeito à opção artística da escola — que pode e deve ser criticada por isso.
Essa discussão revela menos sobre o desfile e mais sobre o ambiente polarizado do país, onde até o Carnaval virou campo de batalha ideológica. A crítica é legítima; o bode expiatório, nem tanto.
Foto/Sasp.com.br





