Moro pode até ser popular, mas, sem política — no sentido clássico da palavra —, corre o risco de ficar sem palanque. (Ricardo Barros).
Mesmo liderando pesquisas, o senador Sergio Moro ainda está longe de ter caminho livre rumo ao Palácio Iguaçu. A resistência vem de dentro da própria federação. Em entrevista à Jovem Pan News, o deputado federal Ricardo Barros foi direto: o Progressistas do Paraná não apoia a candidatura do ex-juiz ao governo do Estado.
Segundo Barros, a executiva estadual decidiu por unanimidade não endossar Moro. O senador tem o respaldo do União Brasil, mas isso, na prática, não resolve o impasse. Pela regra da federação, decisões só valem quando há consenso entre os presidentes nacionais dos dois partidos — e hoje esse consenso não existe.
Enquanto Antonio Rueda sustenta que Moro será o candidato, o senador Ciro Nogueira endossa a posição do diretório paranaense do PP. Resultado: um curto-circuito que expõe fragilidade política do pré-candidato.
Barros não esconde a irritação com a postura de Moro, a quem acusa de apostar apenas na imposição, sem construir alianças. “Liderança não se impõe, liderança se conquista”, resumiu. Nos bastidores, a leitura é ainda mais dura: faltou articulação, sobrou autoconfiança.
Diante do impasse, o Progressistas mantém o leque aberto. Conversa com Rafael Greca, avalia Alexandre Curi e não descarta candidaturas próprias, como Cida Borghetti ou Marcelo Belinati. A estratégia é ganhar tempo e poder de barganha até as convenções.
Ao comentar uma suposta oferta de cargos feita por Moro ao partido, Barros foi ácido: classificou a ideia como “lamentável” e sinal de inabilidade política. Para ele, o Progressistas não negocia projeto com base em cargos, mas em fortalecimento de bancada.
No campo governista, Barros também jogou luz sobre um segredo cada vez menos guardado: o governador Ratinho Junior já teria batido o martelo em favor de Guto Silva. Com máquina e apoio institucional, Guto largaria forte, embora o excesso de candidaturas torne a disputa imprevisível.
O recado do PP é claro: Moro pode até ser popular, mas, sem política — no sentido clássico da palavra —, corre o risco de ficar sem palanque. E, na federação, popularidade não substitui voto interno.





