Entre rabiscos e cálculos, a sucessão no Paraná na conta de Brasília

Nos bastidores, a estratégia bolsonarista deixou o PowerPoint de lado e passou para o papel — literalmente. Flávio Bolsonaro rascunhou um plano nacional para vencer Lula, eleger governadores, senadores e, de quebra, redesenhar alianças estaduais.

Desta vez, nada de PowerPoint. A genialidade estratégica veio em forma de rabiscos num papel, creditados ao candidato direitista à Presidência, Flávio Bolsonaro. Segundo o esboço improvisado, o plano não é apenas derrotar Lula, mas varrer o país, elegendo governadores e senadores em todos os estados. Ambicioso, sem dúvida. Exequível? Só no papel — e olhe lá.

A conta, porém, trouxe uma surpresa curiosa: no cálculo político do filho de Jair Bolsonaro, aparece como peça relevante o deputado cassado e ex-dono de PowerPoints messiânicos, Deltan Dallagnol, acomodado na fatura de Ratinho Junior. Tradução prática: nenhuma vaga ao Senado para o PSD. O resto, como sempre, já estaria “desenhado”.

O detalhe mais revelador talvez nem seja o improviso estratégico, mas o fato de que até Flávio Bolsonaro resolveu pautar a sucessão no Paraná. De Brasília, com rabiscos à mão, tenta-se comandar o jogo local. Se vai funcionar, é outra história. Por ora, o script parece mais um rascunho de sala de aula do que um plano de poder.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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