Em saneamento básico, prevenir não é luxo, é obrigação.
Como era de se esperar, o governador Ratinho Junior (PSD), teve, novamente, que tomar frente na Sanepar, ao determinar a construção de poços em Ponta Grossa resolver problemas no sistema de abastecimento de água que vêm sendo relatados por moradores da cidade que reclamam do cheiro e gosto ruim da água.
No litoral, quando houve desabastecimento de água no verão, o governador também teve que bater a mão na mesa.
O problema das algas no abastecimento de água em Ponta Grossa é recorrente. O fenômeno se intensifica pelo calor e pela estiagem, mas a vulnerabilidade do sistema que abastece a cidade não nasceu ontem.
Como a Sanepar justifica, afirmando que a água está dentro dos padrões de potabilidade, pode até estar. Mas isso não elimina o desconforto da população que abre a torneira e sente cheiro e gosto alterados.
Água tratada não é apenas água que não faz mal. É água que transmite confiança. E quando essa confiança se abala, o problema deixa de ser técnico e passa a ser político e administrativo.
A pergunta que fica é: por que a resposta tem sido sempre reativa? Por que medidas estruturais mais robustas, como diversificação de mananciais, ampliação de captação ou tecnologias preventivas mais eficientes, não foram priorizadas antes que o problema ganhasse dimensão pública?
Anunciar novos poços e parcerias emergenciais pode soar como solução, mas também expõe um planejamento que parece correr atrás do prejuízo. Em cidades médias como Ponta Grossa, o abastecimento de água é infraestrutura estratégica. Não pode depender exclusivamente de condições climáticas favoráveis.
A demora na resolução definitiva alimenta a percepção de que faltou prevenção. E em saneamento básico, prevenir não é luxo, é obrigação.





