No Paraná, parece que assistimos a uma curiosa inversão de papéis na política. O candidato ao Governo do Estado, Sergio Moro (União Brasil), está trocando “alhos por bugalhos” — ou, em outras palavras, fazendo confusão, levantando cortinas de fumaça e misturando temas que pouco ajudam o eleitor a compreender o que realmente está em jogo.
Nos bastidores, cresce a percepção de que o excesso de poder da equipe de marketing começa a ultrapassar limites. Agora, não apenas orienta o discurso, mas também tenta interferir diretamente na escolha do candidato a vice na chapa majoritária.
Moro gostaria de ter como vice o empresário Edson Vasconcelos, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). A escolha poderia abrir portas junto ao chamado G7 — grupo que reúne as principais entidades do setor produtivo paranaense, representando comércio, indústria, serviços e o poderoso agronegócio.
A equipe de marketing, porém, trabalha em outra direção e tenta emplacar o nome da prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (União Brasil), como vice na chapa.
A experiência política costuma ensinar uma regra básica: eleições se vencem primeiro na construção política e depois na comunicação da campanha. Antes mesmo de o processo eleitoral começar oficialmente, muitos resultados já estão praticamente encaminhados a partir de fatores decisivos como alianças partidárias, base política consolidada, apoio de lideranças, tempo de televisão, estrutura de campanha, capilaridade nos municípios e construção de imagem ao longo do tempo.
O que se vê, neste momento, é um batuque desencontrado. O candidato conversa pouco com possíveis aliados e tenta caminhar com as próprias pernas, apostando no potencial de pouco mais de 30% de aprovação — capital político construído principalmente no auge da Operação Lava Jato.
A indecisão na relação com o grupo do deputado federal Ricardo Barros e com o Progressistas é um exemplo claro dessa hesitação. E, na política, o tempo costuma ser um adversário implacável.
No fim das contas, vale lembrar o óbvio: marketing orienta, sugere e ajuda a comunicar. Mas quem precisa liderar o projeto político é o candidato.
Marqueteiro não pode mandar no candidato.
Imagem gerada pelo Gemini (IA)





