O analfabetismo emocional mata: a voz feminina como ferramenta de sobrevivência

Por Núria SantosPor que a falta de inteligência emocional nas escolas e nos lares é o combustível invisível da violência doméstica no Brasil?

Em 2026, o Brasil registra índices alarmantes de feminicídio, um dado que classificamos como o “preço do analfabetismo emocional”. A voz feminina como potência não pode ser apenas um conceito de liderança, mas uma ferramenta de denúncia contra políticas públicas que reagem ao sangue, mas ignoram a prevenção. Criticável o fato de a inteligência emocional ainda ser tratada como privilégio, quando deveria ser o pilar de uma segurança pública que ensina, desde o berço, que o corpo do outro não é território de conquista e que o respeito é a base de qualquer interação humana.

A provocação visa atingir diretamente o sistema escolar, que ainda hesita em debater gênero e respeito mútuo, tratando a educação emocional como conteúdo secundário. A escola é a “última fronteira de sobrevivência” onde o silêncio pedagógico acaba sendo cúmplice da reprodução de ciclos de agressão. Se a escola não ensina a gerir o que se sente, ela entrega o aluno para a estatística da violência. Sem esse contraponto institucional, as classes mais vulneráveis permanecem presas a um sistema que naturaliza a brutalidade em meninos e o silenciamento em meninas.

A responsabilidade parental também é colocada sob uma lente crítica: por que pais e mães ainda falham em ensinar que vulnerabilidade não é fraqueza? O ensino da empatia não é uma questão de bons modos, mas um ato político de prevenção que desonera o sistema de saúde e o Judiciário. Nas periferias, o impacto dessa educação, quando apoiada por uma escola presente, é o que define se um jovem será um agente de transformação ou mais um número no sistema penal. O “tratar bem” precisa deixar de ser um favor para se tornar um requisito básico de cidadania e sanidade social.

Por fim, fica aos líderes o desafio de enxergarem o custo financeiro e social de uma população emocionalmente desequilibrada. Sociedades que investem em educação emocional são economicamente mais prósperas, pois reduzem o afastamento de mulheres no mercado de trabalho causado por traumas e agressões. Em um cenário onde o investimento em impacto social é a regra, a inteligência emocional deve ser elevada a Direito Constitucional. A voz da mulher só terá potência total quando ela não precisar mais gritar por sua vida, mas sim para liderar o futuro do país.

(*) Núria Santos é CEO da Tijoleste e mentora do método Evo. Atua com inteligência emocional aplicada e empreendedorismo feminino. Sua metodologia combina práticas de autoconhecimento, neurociência emocional e estratégia de performance.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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