“Ozempic face”: emagrecimento rápido pode envelhecer o rosto

Por Carla Vidal

A popularização de medicamentos usados para emagrecimento rápido, como os análogos de GLP-1, tem provocado uma nova discussão na medicina estética: o chamado “Ozempic face”. O termo começou a circular nos Estados Unidos e se refere às mudanças no rosto que podem ocorrer após uma perda significativa e acelerada de peso.

Nos últimos meses, o assunto ganhou destaque internacional após médicos e especialistas comentarem a transformação facial de celebridades e influenciadores que passaram por emagrecimentos rápidos. A principal queixa envolve perda de volume facial, flacidez e aparência mais envelhecida da pele.

O fenômeno não está necessariamente ligado ao medicamento em si, mas à velocidade da perda de gordura corporal. O rosto também possui compartimentos de gordura que sustentam a pele. Quando ocorre uma perda de peso rápida e significativa, essa gordura diminui e a pele pode ficar mais flácida, evidenciando sulcos e rugas.

Esse processo pode ser especialmente perceptível no rosto porque a região tem estruturas delicadas e depende do equilíbrio entre gordura, colágeno e elasticidade da pele. O que muitas pessoas não percebem é que a gordura facial tem um papel importante na juventude do rosto. Quando ela diminui abruptamente, a pele pode perder sustentação, deixando o rosto mais ‘murcho’ ou cansado.

O termo “Ozempic face” surgiu nas redes sociais e foi amplamente divulgado pela imprensa internacional para descrever esse efeito estético associado ao emagrecimento rápido. No entanto, o mesmo pode acontecer com qualquer perda de peso intensa, seja por dieta, cirurgia bariátrica ou medicamentos. É importante entender que isso não é exclusivo de um medicamento específico. Qualquer emagrecimento rápido pode provocar alterações semelhantes na face.

Várias alterações podem surgir após perda de peso acelerada, entre elas:

  • flacidez na região das bochechas
  • aprofundamento do sulco nasolabial (o popular “bigode chinês”)
  • aparência mais marcada das olheiras
  • perda de definição no contorno facial
  • aspecto mais cansado ou envelhecido

Essas mudanças variam muito de pessoa para pessoa e dependem de fatores como idade, qualidade da pele e quantidade de peso perdido. Pacientes mais jovens costumam ter maior capacidade de recuperação da pele. Já em pessoas acima dos 40 anos, a redução do colágeno natural pode tornar essas mudanças mais evidentes.

Apesar do impacto estético, existem estratégias para minimizar essas alterações. Uma delas é priorizar um emagrecimento gradual, sempre acompanhado por profissionais de saúde. A perda de peso progressiva dá mais tempo para a pele se adaptar às mudanças do corpo.

Além disso, a dermatologia estética oferece tratamentos capazes de ajudar a recuperar a harmonia facial. Dependendo do caso, podemos utilizar bioestimuladores de colágeno, tecnologias para estimular a firmeza da pele ou procedimentos de reposição de volume. O objetivo não é exagerar nos preenchimentos, mas devolver naturalidade ao rosto.

O uso de medicamentos para emagrecimento deve sempre ser feito com acompanhamento médico, e que o impacto estético é apenas um dos aspectos a considerar. Esses medicamentos podem ser muito importantes para determinados pacientes, especialmente em casos de obesidade. Mas é fundamental que o tratamento seja feito com orientação adequada, pensando na saúde como um todo  e não apenas na perda de peso rápida.

(*) Carla Vidal é médica dermatologista. fundadora da clínica que leva o seu nome.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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