Governador chega da Suíça e terá que decidir sobre seu sucessor no Paraná: Guto, Curi ou Greca. Ou nenhum.
Nunca, na história política do Paraná – pelo que me lembre em quase meio século de jornalismo – um governador ficou tão conhecido – dentro e fora do Estado – como Ratinho Junior. Não se trata apenas de campanhas de mídia, mas por dois motivos que tem que ser estudado: a hesitação em escolher o nome do seu sucessor no Palácio Iguaçu, ou se se trata de uma estratégia política.
Ratinho Junior, ajudado pelo seu chefe de comunicação, Cleber Matta, que lhe deu sustentação na mídia nacional e o pai, Carlos Massa (Ratão), que construiu seu nome como apresentador de televisão e, hoje, dono de uma rede de comunicação espalhada pelo Brasil, ficou conhecido nacionalmente ao ponto de ser indicado candidato à Presidência da República.
Entre uma série de obras de infraestrutura no Estado, em especial a Pon te e Guaratuba, também contribuiu para que o governador tenha, hoje, mais de 75% de aprovação pela população. Agora, dentro do cercado política, o jogo da indecisão — e o risco de ficar sem herdeiro – também o tornou conhecido.
No jogo político do Paraná, o silêncio do governador já começa a falar alto demais. A dúvida sobre sua própria sucessão deixou de ser estratégia refinada e começa a flertar perigosamente com a omissão.
A tentativa de não ferir suscetibilidades, especialmente de um adversário competitivo e de aliados com ambições próprias, pode até parecer elegante no discurso, mas, na prática, soa como falta de comando. E política, como se sabe, não tolera espaços vazios. Sempre haverá alguém disposto a ocupá-los.
Ao evitar escolher um nome, o governador arrisca assistir de camarote ao crescimento de projetos paralelos. Pior: pode ver aliados se digladiando enquanto ele próprio perde o controle da narrativa. A neutralidade, nesse caso, não pacifica, apenas fragmenta.
Entre a prudência e a paralisia existe uma linha tênue. E, ao que tudo indica, ela começa a ser cruzada. Afinal, liderança não é apenas construir caminhos; é, sobretudo, apontar direções.
Se a indecisão persistir, o governador corre o risco de um desfecho indigesto: chegar ao fim do mandato forte no discurso, mas sem um herdeiro político claro — e com o próprio capital diluído no processo.
No fim das contas, em política, quem não escolhe… acaba sendo escolhido pelas circunstâncias.
Ratinho Junior está na Suiça e retorna ao Brasil na quinta-feira, onde terá um encontro com Flávio Bolsonaro e ninguém sabe sobre o ensaio do conteúdo da conversa.
Chega ao Estado e terá que decidir sobre sua sucessão. Ou aposta em Guto Silva, o qual, segundo fontes palacianas, já teria descartado para convocá-lo a coordenar sua campanha no Sul. Terá que ter mais uma conversa com Rafael Greca e com Alexandre Curi.
Nestas conversas é quando saberemos sobre sua longa demora em escolher seu sucessor.





