NIvaldo Savagin teve série de prisões e condenações, como pela morte de dois industriais no bairro Portão, crime cometido ao lado do irmão Nelson. Sobreviveu ao “Massacre do Carandiru” e participou da rebelião da PCE em 1984. Aos 72 anos, tinha cumprido suas penas.
Em Curitiba, ele foi um dos criminosos mais temidos nos anos 1970 e 1980, sobreviveu a duas grandes rebeliões em presídios de segurança – na Penitenciária Central do Paraná e no Carandiru – e contabilizou pelo menos 15 prisões e condenações que somaram mais de 100 anos de reclusão. Teve processos até em Santa Catarina e em São Paulo, onde, no início dos anos 2000, chegou a cursar Direito numa faculdade do interior supostamente sob patrocínio do PCC.
O “currículo” criminal descrito é de Nivaldo da Silva Savagin, que faleceu nesta terça-feira (17) no Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba. Tinha 72 anos de idade e já estará há bom tempo casado e em uma vida de reabilitação e distante da fama que construiu ao lado do irmão Nelson Savagin, que foi assassinado com outros detentos em março de 1984 no interior da PCE, prisão onde em dezembro de 1982, juntamente com Nivaldo, comandou uma rebelião marcante na história prisional brasileira.
O corpo de Nivaldo Savagin foi velado nesta quarta-feira (18) no Paroquial São Marcos. O sepultamento ocorreu às 11h. A causa da morte não foi divulgada, mas nos meios policiais da Capital, em especial entre integrantes da força de segurança da época de sua fama, ficou a curiosidade sobre terminou seus dias.
O ingresso de Nivaldo na vida de crimes começou bem cedo. Em 1973, teve a primeira condenação por homicídio e roubo, com pena de 19 anos e oito meses. Dois anos depois, nova condenação de nove anos por roubo, pela comarca de Ponta Grossa. O sobrenome Savagin ganhou notoriedade no meio policial em 1977, quando Nivaldo e o irmão Nelson cometeram crime brutal em Curitiba. Durante assalto ao moinho da família Percegona, no bairro do Portão, eles mataram a tiros os irmãos Luís, de 49 anos, e Clemente, de 45. Tissiano, irmão gêmeo de Clemente, foi baleado no pescoço e ficou paralítico.
O que veio depois foi uma sucessão de crimes, de roubos a estelionato, bem como uma série de condenações, de fugas da cadeia e de proximidade com o mundo do crime. Além das rebeliões na PCE, um dos marcos da carreira de Nivaldo foi em 1992, quando ocorreu o chamado “Massacre do Carandiru”. Ele sobreviveu apesar de ter levado uma série de tiros. Não foi a única vez que ele escapou da morte. Em 2010, em mais uma prisão após assalto a uma fábrica de alimentos em São José dos Pinhais, foi ferido a tiros e sobreviveu.

Reportagem especial do jornal Correio de Notícias de 1984, com imagens de detentos, incluindo Nivaldo Savagin, após a rebelião na PCE.





