O problema político não é reeleição, mas quem se elege

Querem mexer nas regras do jogo… mas o povo não é bobo

Cá para nós e sejamos honestos: o problema do Brasil nunca foi o instituto da reeleição. O problema é quem se elege — e, principalmente, quem se reelege sem entregar absolutamente nada. Essa PEC (22/2022) que pretende acabar com a reeleição no Executivo acabou levando um trompaço da população, segundo pesquisa Datafolha.

Acabar com a reeleição, na prática, é só um jeitinho elegante de alguns figurões tentarem evitar o risco de serem despejados pelas urnas depois de um mandato desastroso.

Vejam bem. Enquanto Brasília ensaia, mais uma vez, mudar as regras do jogo político, a voz das ruas dá um recado direto e sem rodeios: não, senhores, o brasileiro não quer abrir mão do direito de reeleger quem ele bem entender.

A tal PEC 12/2022, que defende o fim da reeleição para presidente, governador e prefeito, além de propor um puxadão para unificar mandatos e datas de eleições, pode até ter agradado meia dúzia de senadores entediados, mas não colou com a população. Pelo menos é o que escancara a pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana: 57% dos brasileiros são a favor da reeleição. Apenas 41% topariam jogar essa possibilidade na lata do lixo. E 2%… bem, 2% seguem naquela dúvida crônica que já virou marca registrada nacional.

O mais curioso — ou nem tanto assim — é que enquanto no Senado se discute pomposamente “modernizar” o sistema político, a maioria dos brasileiros defende exatamente o oposto do que tramam nas cúpulas: querem, sim, mandatos mais longos, de cinco anos, e querem, sim, ter o direito de renovar o passe dos eleitos.

O povo sabe. Entendeu o jogo. E, pelo visto, não quer largar a única arma que ainda tem: o poder de escolher quem fica… e, principalmente, quem sai.

 

 

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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