Por Lidiane Takeda –
Durante os últimos anos, foi registrado um aumento significativo no uso de cigarros eletrônicos entre jovens e adultos. No Brasil, a venda e a propaganda desses dispositivos seguem proibidas pela Anvisa. Porém, o comércio irregular ainda é um desafio para as autoridades e para a saúde da população, inclusive a bucal.
A dentista Lidiane Takeda alerta que a popularização do vape, principalmente entre jovens, traz riscos significativos que ainda são pouco conhecidos pela população. Segundo a especialista, o aerossol liberado pelos dispositivos contém substâncias potencialmente tóxicas, que entram em contato direto com dentes, gengivas e mucosas. Por esse motivo, usuários de cigarros eletrônicos vem apresentando sinais de desgaste precoce, como aumento de boca seca, inflamação gengival, manchas, cáries e até perda dentária. “Temos observado pacientes muito jovens desenvolvendo sintomas críticos para a saúde bucal. Muitos chegam ao consultório acreditando que o vape é inofensivo, mas não é”, explica.
A dentista afirma que os efeitos começam pela saliva, um fator essencial para a proteção da boca. Substâncias como nicotina, propilenoglicol e flavorizantes reduzem sua produção e alteram o equilíbrio da microbiota, favorecendo mau hálito, cáries e inflamação gengival. Além disso, Takeda ressalta que, compostos presentes no vapor podem causar irritações na mucosa, atraso na cicatrização e escurecimento do esmalte, problemas que, segundo a dentista, já são observados em consultórios de todo o país.
A especialista ainda indica que usuários diários de cigarros eletrônicos apresentam maior risco de desenvolver doenças periodontais, incluindo perda de suporte dentário. Para Takeda, isso reforça a necessidade de monitoramento contínuo. “O paciente pode não perceber no começo, mas os danos são cumulativos e, muitas vezes, irreversíveis quando identificados tardiamente”, afirma.
Diante desse cenário, é fundamental reforçar a prevenção, o esclarecimento da população e o acompanhamento odontológico constante, garantindo que a informação seja uma aliada na redução dos danos e na proteção da saúde como um todo. Com a tendência de crescimento do uso dos dispositivos, a especialista defende que o tema precisa ser discutido com mais seriedade. “Estamos diante de um comportamento que pode impactar toda uma geração. Quanto antes a sociedade entender esses riscos, maior será nossa capacidade de preveni-los”, conclui Takeda.





