Na estimulada, no entanto, Sergio Moro está à frente com 46% chegando em alguns cenários a 52%. Alvaro Dias mantém liderança ao Senado
Ao somarmos 72,9% que ainda não sabem em quer votar para o Governo do Estado e mais 5,8% que anulariam seus votos, teremos 87% dos eleitores paranaenses que não decidiram seus votos para o pleito de outubro, conforme dados do levantamento do Instituto Paraná Pesquisa, divulgados nesta segunda-feira, quando se trata da pergunta espontânea, em quem você votaria para governador. Neste cenário, Sergio Moro aparece com 10,7%, seguido de Ratinho Junior (que não pode ser candidato) com 4,0%, Requião Filho, com 2,6%, Rafael Greca 1,5%, Alexandre Curi 1,1% e Guto Silva 0,5%.
Na espontânea para o Senado Federal, Deltan Dallagnol aparece com 3,5%, Gleisi Hoffmann, 1,3%, Alvaro Dias, 1,0%, Alexandre Curi, 0,8% e Cristina Graeml, 0,8%. Quando a pergunta é estimulada, Alvaro Dias aparece com 44,5%, Deltan Dallagnol 28,2%, Alexandre Curi, 22,9%, Gleisi Hoffmann, 22,5%, Filipe Barros, 20,9% e Cristina Graeml, 15,3%.
Em relação à rejeição, Requião Filho tem 33,5%, Moro 21,7%, Greca 12,7% e Curi, 11,6%.
Já em um dos cenários da estimulada, Sergio Moro aparece com 46%, seguido de Rafael Greca com 19,7%, Requião Filho, 17,7% e Guto Silva 3,6%. Nesta pesquisa, realizada entre os dias 10 e 11 de abril, Murilo Hidaldo acrescentou o nome de Tony Garcia e deixou de fora Cida Borghetti e Beto Richa. Em um outro cenário, Moro pontua 50,9%, Requião Filho, 22%, Alexandre Curi 11, 7% e Tony Garcia 1,8%.
Na avaliação sobre o Governo do Estado, Ratinho Junior é a grande liderança política com 72,3% de avaliação da população.
Período de indefinições
Por Emerson Cervi
Ainda estamos no período pré-eleitoral, onde é comum indefinições. Por isso, olhar para a respostas espontânea e compará-la com a estimulada ainda é a melhor forma de definir possíveis cenários.
Na espontânea chama atenção o fato de 73% dos eleitores não saber citar o nome de um candidato. Isso mostra como a campanha tem potencial para grandes volatilidades. Apesar disso, os percentuais estão um pouco abaixo dos de 2022, quando pesquisas de junho de 2022 apontavam 73% de indecisos nas respostas espontâneas.
Por isso a campanha eleitoral é tão importante. É nela que pelo menos dois em cada três paranaenses decidirão o voto. Mas, entre os que já indicam candidato espontaneamente, 10% aponta Sérgio Moro, em primeiro lugar. Depois vem Ratinho Jr, que não pode ser candidato, com 4%; Requião filho, com 2,6%, Rafael Greca com 1,5%; Alexandre Curi com 1,1% e Guto Silva, com 0,5%. Uma curiosidade, em 2022, o candidato á reeleição Ratinho Junior tinha 14% de citação espontânea neste momento pré-eleitoral. A proximidade entre ele e Moro indica duas coisas: primeira, que o eleitor cita mais os nomes que tem de memória, os mais conhecidos. Segundo, que, Ratinho em 2022 e Moro, em 2026, são os representantes dos eleitores mais consistentes ideologicamente com o movimento bolsonarista, que fica entre 10% e 15% no cenário paranaense.
Para ir além disso é preciso extrapolar o “bolsonarismo-raiz”. Aqueles 10% de Moro indicam que o piso de votos dele é mais alto que seus adversários e isso lhe dá uma considerável vantagem de saída, que precisa ser mantida na campanha, quando o eleitor médio começar a se preocupar com a definição de seu voto. Agora, se compararmos a citação espontânea com o percentual de citações estimuladas, podemos perceber o potencial de crescimento.
Começando por Moro, ele passa de 10% para entre 46% e 52%, dependendo do cenário. Se arredondarmos para 50%, teríamos que Moro cresce 5 vezes entre o espontâneo e o estimulado. Requião Filho, com 17% na estimulada, cresce 6 vezes entre os dois tipos de medição. Já Rafael Greca, com 19% na estimulada, cresce 12 vezes. Alexandre Curi, com 11% na estimulada, cresce 10 vezes e, por fim, Guto Silva, com 3,6% na estimulada, apresentou crescimento de 7 vezes.
Em resumo, Moro, com um piso alto na espontânea, ainda não conseguiu elevar o teto da estimulada e apresenta a menor diferença entre as duas formas de medição (o desafio dele é fazer crescer essa diferença, o que só acontecerá se ampliar suas bases para além do “bolsonarismo-raiz”).
Dos pré-candidatos com percentuais de citação semelhantes na espontânea, Requião Filho cresce 6 vezes, próximo da diferença de Moro – o que indica que ele também está limitado ao grupo de eleitores mais “ideológicos” à esquerda.
A diferença de Guto Silva é de 7 vezes, a terceira menor, com o agravante de que essa diferença se dá em patamares baixos, ou seja, ao contrário de Moro, o piso de Guto Silva é baixo.
Alexandre Curi apresenta crescimento de 11 vezes e Rafael Greca cresce 12 vezes. Os dois têm condições pré-eleitorais parecidas: apresentam piso baixo, mas com potencial de crescimento elevado quando o eleitor é informado do nome deles na lista de candidaturas. Quando aqueles 70% de eleitores ainda indecisos começarem a pensar em quem votar, os pisos e tetos dos candidatos começarão a se mover e o cenário pode ser muito alterado.
Emerson Cervi é professor e cientista político





