Historicamente os cenários se consolidam após as convenções partidárias, até agosto. As intenções de voto no momento servem mais a planejamento e estratégias de campanha.
As consultas públicas de preferências eleitorais e rejeições para cargos do legislativo e, especialmente, do executivo, para governador ou presidente, têm se acentuado neste período a menos de seis meses do pleito de outubro. Sob o flutuar de inserções e retiradas de nomes de candidatos, tais pesquisas, a exemplo do que se sucedem há anos em tais períodos, têm a oferecer muito mais às correntes partidárias e aos postulantes a cargos, para planejamento, coligações e calibrar estratégias de campanha, do que à sociedade de modo geral.
Em resumo, para o grande público – leia-se massa eleitoral -, o cenário global mais confunde do que cria tendências, neste momento. Assim tem se sucedido nos meses de abril que precedem eleições, com destaque para as que envolvem disputas de governos estaduais e federais. Em 2010, nesta época, os candidatos mais “encorpados” eram Dilma, apoiada pelo então presidente Lula, e José Serra, que detinham igualdade na preferência do eleitorado, com cerca de 37% cada. Marina Silva alcançava 11%. O resultado meses depois nas urnas foi de vitória de Dilma, sendo que Marina, que obteve quase 20% dos votos no primeiro turno, declarou-se “neutra” na disputa final, mas seu recuo, estimam especialistas, favoreceu a petista.
Outras eleições
Em 2014, também nesta época de abril e numa das muitas pesquisas, a então presidente Dilma Rousseff liderava com 37 pontos, contra Aécio Neves com 21,6, e Eduardo Campos com 11,8. Dilma fechou o primeiro turno à frente com 41,59% dos votos, contra 33,55% de Aécio, confirmando a vitória no segundo turno por 51,64% a 48,36%. Marina Silva, que ficou em terceiro com mais de 21%, emprestou apoio ao mineiro na ocasião, mas o resultado final prevaleceu à candidata que buscava o segundo mandato.
Em abril de 2018, já com Dilma fora, governo do vice dela, Michel Temer, e com o nome de Luiz Inácio Lula da Silva ainda colocado no páreo, mesmo preso, este era o mais bem colocado nas pesquisas. Detinha 31% em média, contra 15% de Jair Bolsonaro, 10% de Marina, 8% de Joaquim Barbosa, 6% de Alckmin, 5% de Ciro Gomes e 3% de Alvaro Dias. No pleito, meses depois, Fernando Haddad foi o candidato do PT, indo, com seus 29,28% dos votos, para o segundo turno com Bolsonaro, que com 46,03% esteve perto de vencer sem necessidade do segundo turno. No tira-teima, 55,13% a 44,87% pró Bolsonaro.
Ao longo de abril de 2022, o Paraná Pesquisas realizou cinco amostras, com Lula sempre à frente, oscilando entre 40 e 41% das intenções de voto. Jair Bolsonaro, em busca da reeleição, tinha entre 32,7% e 35,3%. Outros que se apresentavam candidatos um pouco competitivos eram Ciro (5%) e Moro (7%), sendo que Janones, Tebet e Doria tinham escores fracos, status idêntico detectado pela Quaest, mas que colocava Lula com 44% e Bolsonaro com 29%. Seis meses depois, Lula garantia 48,43%, ficando à frente de Bolsonaro, com seus 43,20%. Vinham, em seguida, Simone Tebet (4,16%), Ciro Gomes (3,04%) e Soraya Thronicke (0,51%). Segundo turno e o representante do PT garantiu seu terceiro mandato, com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% de Bolsonaro.
Como observado em todas as pesquisas realizadas pelos diversos institutos ao longo de setembro de 2022, em plena campanha eleitoral, Lula apareceu na frente na maioria delas, com diferença média de 7 a 10 pontos percentuais. Conclusa a apuração do segundo turno, consagrando a vitória de Lula por pouco mais de 2 milhões de votos, Piauí se apresentou como o estado onde o presidente eleito teve a maior diferença (conquistou 76,86% dos votos). O então presidente teve sua melhor pontuação em Roraima: 76,08%.
O Paraná, com 8.480.626 eleitores, teve 62,40% dos votos pró Bolsonaro (PL) e 37,60% para Lula (PT). Ainda no Estado, a eleição para governador em 2022 foi decidida já no primeiro turno, realizado em 2 de outubro. Ratinho Junior recebeu 69,64% dos votos (4.243.292), seguido de Requião (PT), com 26,23%; Gomyde (PDT), com 2,08%; e Joni Correia (DC), com 0,83%. Nas pesquisas feitas seis meses antes, o então governador já aparecia na frente para ganhar em primeiro turno, mas com diferença menor. Agora, em análise semelhante, é Sergio Moro (PL) quem lidera as intenções de voto, em circunstâncias ainda não tão claras sobre os concorrentes, a relevância do apoio de Ratinho Junior e as coligações.
Quando vai ferver?
O que os marqueteiros de plantão muito observam em todas as candidaturas é o índice de rejeição aos nomes. É neste aspecto que muitas decisões são tomadas, que candidaturas são renegadas, que postulantes desistem e que campanhas ingressam no corpo a corpo para moldar caminhos. Os bastidores vão começar agora a fomentar as intrigas, acionar a justiça eleitoral – e a comum – e usar os truques habituais da política (embora eticamente reprováveis, na maioria das vezes) para desconstruir imagens e biografias.
É a partir de abril que, conclusas a janela partidária, as desincompatibilizações e o registro de estatutos e domicílio eleitoral, são de fato “costuradas” as alianças e trairagens. De acordo com a Resolução nº 23.760 do TSE, que dispõe sobre o calendário das Eleições de 2026, no período de 20 de julho a 5 de agosto os partidos e federações devem realizar as convenções partidárias para deliberar sobre coligações e escolher candidatas e candidatos que concorrerão aos cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e respectivos suplentes, bem como aos cargos de deputado federal, estadual e distrital (DF) nas Eleições de 2026.
Os pedidos de registro de candidatura devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. Já no dia seguinte (16 de agosto), tem início a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Já o horário eleitoral gratuito nas emissoras de rádio e televisão relativo ao 1º turno das eleições passa a ser exibido a partir de 28 de agosto e termina no dia 1º de outubro.





