A Sanepar afirma que vai reduzir a tarifa da água. É uma determinação da Agência Reguladora.
Depois de quase dois anos no cargo, o presidente da Sanepar, Wilson Bley, finalmente resolveu dar as caras aos paranaenses. Não em entrevista aberta, não em prestação de contas detalhada — mas em um vídeo nas redes sociais, cuidadosamente produzido, para, segundo ele, desmentir “boatos” sobre a gestão da companhia.
No pacote, veio a promessa: redução na tarifa da água. Conveniente. E, como sempre, o anúncio vem antes da entrega. É ver para crer.
O destino dos R$ 4 bilhões
A fala não surge por acaso. O movimento responde diretamente à determinação da Agepar, que exige a destinação de R$ 4 bilhões — oriundos de uma ação contra o Governo Federal — para redução de tarifas e investimentos em saneamento. Não para inflar dividendos, como vinha sendo pressionado por setores interessados, segundo aponta o deputado Arilson Chiorato.

Na quarta-feira (29), o Governo do Estado confirmou que pretende cumprir a recomendação da agência reguladora. A pergunta que fica é: por convicção ou por falta de alternativa?
Denúncia de tarifas infladas
Enquanto isso, as críticas se acumulam. O deputado estadual e pré-candidato ao governo, Requião Filho, afirma que a Sanepar segue na contramão do discurso oficial: menos investimento em captação, produção e distribuição de água, além de recuo em obras de esgoto sanitário. Na prática, segundo ele, a lógica tem sido simples — retirar mais do que investir.
O parlamentar também relata denúncias recorrentes de tarifas infladas. E a justificativa apresentada pela companhia chama atenção: a culpa seria de terceirizados responsáveis pela leitura dos hidrômetros. Uma explicação que, no mínimo, transfere responsabilidade para a ponta mais frágil da cadeia.

Tarifa alta, serviço irregular
A crise de gestão já não é mais um tema restrito aos bastidores. Está nas ruas. Está nas torneiras — ou na falta delas. Em várias cidades, a percepção é direta e incômoda: tarifa alta, serviço irregular.
Não se trata de escândalo formal, mas de algo igualmente corrosivo — desgaste contínuo de imagem e confiança.
Os episódios se acumulam. Problemas de abastecimento em cidades como Ponta Grossa e Guaratuba. Reclamações recorrentes em Curitiba. Nesta semana, um telejornal local dedicou minutos preciosos a ouvir consumidores sem água — e, mais uma vez, a resposta da empresa veio no automático: “problema de cavalete”.
Quando a explicação vira padrão, o problema já deixou de ser pontual.





