Médico e professor tinha 86 anos. Recebeu em vida as principais condecorações conferidas a um profissional na área. Despedida ocorre neste sábado (4).
Faleceu nesta sexta-feira (3) no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, o médico e professor Eurípides Ferreira, que liderou, ao lado do do também professor Ricardo Pasquini, o primeiro transplante de medula óssea do Brasil e da América Latina, há quase meio século. O velório do hematologista, que tinha 86 anos, ocorre neste sábado (4), das 9 às 14h, na Capela Turquesa, da Vaticano. A despedida, restrita aos familiares, será no Crematório Vaticano, em Almirante Tamandaré.
Eurípides Ferreira era membro da Academia Paranaense de Medicina, que emitiu nota de pesar, assim como o Hospital Infantil Pequeno Príncipe, onde ele atuou por praticamente cinco décadas. Era formado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, tendo completado 60 anos de atividades ao final do ano passado. Tinha recebido as principais honrarias conferidas aos profissionais de Medicina do País, como a Comenda Fernando Figueira – Medicina e Ensino Médico, do CFM, a Medalha de Lucas – Tributo ao Mérito Médico e o Diploma de Mérito Ético-Profissional, do CRM-PR, onde tinha o registro n.° 1722.
O primeiro transplante de medula óssea na América Latina ocorreu em 1979, no Hospital de Clínicas da UFPR. o paciente foi Alírio Pfiffer e o doador compatível foi o irmão dele; eram moradores em Blumenau (SC). Em 1988 foi criada a Associação mantenedora do Instituto TMO, que leva o nome de Alírio. O Prof. Euripides também participou da equipe que realizou o primeiro transplante entre não parentes. Foi em 1996, graças à existência do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). A doadora era Suely Walton e a cirurgia ajudou a salvar a vida de uma criança de 11 anos.
Recentemente, em entrevista, o médico contou que passou a dedicar a vida aos pacientes que dependem do transplante de medula a partir de uma promessa feita em 1966. “Eu fui chamado para atender uma criança com leucemia, que tinha 6 anos de idade, o Henrique. Naquele tempo, não tinha quimioterápico eficaz. Em uma tarde, eu virei para o Henrique e disse: ‘Como você está?’. Ele disse: ‘Tudo bem, tio. Tio, o senhor faz um favor para mim? Deixa eu morrer em casa?’. Naquele dia eu fiz uma promessa para mim mesmo: vou fazer todo o esforço para poder curar essas crianças”.
O médico e professor Donizetti Dimer Giamberardino Filho, que foi diretor do Hospital Pequeno Príncipe e esteve ao lado do colega durante décadas, registrou: “O doutor Eurípides sempre foi um médico atualizado em seu conhecimento e com uma capacidade enorme para inovação, tanto que foi o precursor na realização de TMO no Brasil e sempre esteve atento a outras terapias. É um exemplo que a sociedade precisa. Um ser humano impecável, com grande conhecimento e postura ética. Generoso, ele sempre compartilhou seus aprendizados por onde esteve presente. Era um ótimo profissional e uma pessoa a ser admirada e copiada. Por onde passou, deixou boas sementes!”.
A oncologista pediátrica Flora Watanabe, que foi “discípula” do mestre, também se manifestou em nota emitida pelo HPP: “O meu querido professor e inspirador, orientador e amigo partiu para a terra da luz. Trabalhei e aprendi com ele por 50 anos. Anos de muita parceria, amizade e ensinamentos. Sempre tinha uma palavra de conforto para o paciente e suas famílias. Ou uma brincadeira para nos fazer rir. Além de ser um profissional de excelência acadêmica, era uma pessoa incrível. Sem palavras para descrever a tristeza que sinto e a falta que ele vai fazer. Obrigada, doutor Eurípides, por tudo! Tudo que fez por nós equipe, pelas crianças, pelo Hospital e pela medicina. Sua missão foi cumprida e você pode partir em paz. Seu legado permanecerá para sempre em nossos corações”.





