Moro, o ex-juiz que mandou prender meio Brasil, agora finge não entender as regras do jogo parlamentar.
Sérgio Moro trocou de partido — foi do União Brasil para o PL, o clube do Bolsonaro — e perdeu a vaga na CCJ. É o regimento do Senado, não uma “manobra”. Mas Moro foi às redes sociais e à tribuna denunciar perseguição. Gleisi Hoffmann não deixou passar: “Pare de usar a mentira como método. Se quiser, peça para o PL te indicar para a Comissão.” Tradução livre: vai pedir pro Valdemar.
O problema de Moro é que ele continua confundindo o Senado com a 13ª Vara Federal de Curitiba. Lá, ele mandava. Aqui, tem regimento.
Na Operação Lava Jato, Sérgio Moro foi acusado de atropelar o devido processo legal. O STF anulou boa parte de suas sentenças. No Senado, o roteiro se repete: Moro demonstra o mesmo desapreço pelo Regimento Interno que demonstrou pelo Código de Processo Penal.
A lógica é simples. Moro era titular da CCJ pelo União Brasil. Trocou de partido — migrou para o PL para viabilizar a candidatura ao governo do Paraná. As vagas nas comissões são do partido, não do senador. Quem troca de clube, troca de posição. É assim em todo campeonato.
Mas Moro foi às redes sociais denunciar uma “manobra lamentável do governo Lula” para tirá-lo da comissão às vésperas da sabatina de Jorge Messias para o STF. A deputada Gleisi Hoffmann respondeu com precisão cirúrgica: ele saiu da CCJ porque trocou de partido, não há medo de seu voto em nenhuma sabatina, e se quiser voltar, é só pedir ao PL que o indique. Gleisi teve a elegância de não completar o raciocínio — a fila seria no escritório de Valdemar Costa Neto, presidente do PL e novo patrão do senador.
Moro, o ex-juiz que mandou prender meio Brasil, agora finge não entender as regras do jogo parlamentar.





