Jornalista e cartunista, ele passou pelas redações da Tribuna do Paraná, O Estado do Paraná, Correio de Notícias e Gazeta do Povo, onde se aposentou. Despedida nesta quarta (19).
O jornalista e cartunista Francisco Alfredo Dias Camargo faleceu nesta terça-feira (18) no Hospital Zilda Arns, em Curitiba. Tinha 80 anos e teve complicações decorrentes de pneumonia. Havia sido internado inicialmente no hospital da Cruz Vermelha, ficando vários dias na UTI. Camargo, que assinava “Pancho” em seus desenhos na satírica coluna “Rollmops e Catchup”, trabalhou na Tribuna do Paraná, O Estado do Paraná, Correio de Notícias e, por último, na Gazeta do Povo, onde esteve por quase duas décadas.
Francisco foi casado pela primeira vez com a também jornalista curitibana Lúcia Camargo (falecida em 2020), professora dos cursos de Comunicação da UFPR e da Católica por mais de 25 anos e que foi secretária de Estado da Cultura, presidente da Fundação Cultural de Curitiba e diretora do Teatro Guaíra. Tiveram três filhos: Fabiano, Adriana e Guilherme. Depois, foi casado com a advogada Fátima Bortoti e teve uma filha, Clara.
A notícia da morte de Francisco Camargo gerou grande comoção junto aos grupos de comunicadores, com muitas mensagens de solidariedade aos familiares e de gratidão aos ensinamentos de um grande mestre. “Camargão cumpriu a pauta por aqui e foi transferido para a sucursal lá de cima. Dentro do possível, estamos tocando o barco”, disse o filho Fabiano antes dos preparativos para tratar do funeral.
Além da destreza nas letras, Camargo também gostava de desenhar, habilidade familiar, já que o irmão Tito, arquiteto por formação, provocava sempre a competição. Camargo começou fazendo “bico” numa sucursal do jornal Última Hora, em Curitiba, em 1963. Ali começou as tiras, as quais assinava “Pancho”, apelido da infância. Depois de passagens pelo Estadinho e Tribuna, onde criou colunas de crônicas em que explorava o humor e a boemia – sua companheira de sempre -, o jornalista foi para o Correio de Notícias. Ali, em 1987, criou os personagens “Rollmops e Catchup”, retratados como dois mendigos especulando o mundo e fofocando à beira de uma fogueira.
Levado por amigos à redação da Gazeta do Povo, às vésperas do desaparecimento do Correio, Francisco Camargo teve atuação ativa nas decisões diretivas do jornalismo e tinha entre suas missões a feitura da capa do jornal – então ainda impresso – que no dia seguinte estaria nas bancas. De forma paralela, recriou sua coluna humorística diária, explorando coisas do cotidiano e do absurdo. Volta e meia, a inquisição de um dos personagens ao outro: “E como vai a sua medíocre vida sexual”.
A foto do destaque é do jornal Gazeta do Povo e retrata Francisco Camargo no ambiente que ele mais gostava: o bar, reduto de coleta de histórias e crônicas. Apreciava uma cervejinha e o cigarro, coisas das noitadas depois que fazia o fechamento de cada edição de jornal. Depois de aposentado, frequentava o Bar Luzitano, na Avenida João Gualberto, Cabral, proximidades de onde residia.
A despedida






