Advogadas paranaenses abordam o problema e possíveis saídas para o enfrentamento, destacando as melhores práticas em resolução consensual de conflitos. O tema, aliás, estará em destaque em evento internacional que elas promovem de 30 de junho a 3 de julho em Paris, na França.
É assustadora a alta demanda no judiciário brasileiro, onde, hoje, existem mais de 80 milhões de processos em tramitação. Grande número desses processos leva anos para ser resolvido, como destaca a advogada Fabíola Bungenstab (foto), especialista em mediação e resolução de conflitos. Em sua análise, “o mais lamentável é que isso envolve um custo financeiro muito alto, que ultrapassa a R$ 133 bilhões por ano para o judiciário”.
Advogada experiente e também professora da PUCPR, Luciana Drimel também reforça a preocupação com o grande impacto do inchaço nos tribunais. De acordo com ela, “a taxa de congestionamento dos processos no Brasil chega a 80%, o que é inadmissível”. Ressalta que, apesar dessa demanda e morosidade, o judiciário brasileiro se destaca como um dos mais produtivos do mundo.
Na estimativa das advogadas, que possuem ampla experiência internacional e na promoção de eventos jurídicos até no exterior, entram por ano perto de 30 milhões de processos no judiciário brasileiro. “Essa conta nunca vai fechar e só aumentar as despesas. É preciso baixar esta febre”, reforça Fabíola Bungenstab, que possui longa experiência nas áreas de mediação e negociação de conflitos.
As advogadas estão na coordenação da terceira edição da Missão Internacional CR Conection, que será realizado em Paris, na França, de 30 de junho a 3 de julho. O evento global reunirá renomados especialistas em resolução de conflitos no mundo. Terá lugar na Universidade Paris I – Panthéon-Sorbonne. Tem o objetivo de promover o conhecimento e as melhores práticas em resolução consensual de conflitos, além de oferecer capacitação profissional para advogados e empresários.
Luciana Drimel, que já foi superintendente do Conselho Nacional de Instituições de Mediação e Arbitragem e membro da Comissão de Mediação e Arbitragem da OAB-PR, é partidária da corrente que entende que a melhor saída para o enfrentamento do sobrecarregamento dos tribunais é a privatização das demandas extrajudiciais de resolução de disputas, ou seja, abrir mediações para negociações. As organizadoras do encontro internacional reforçam a posição de que é preciso atender a população com mais tempo adequado e auxiliar os advogados, já que, em muitos casos, as ações demandam mais de 10 anos.





