A defesa da vida das mulheres não tem lado ideológico, diz Janja Lula da Silva na Alep
A audiência pública “Balanço do Pacto Brasil Contra o Feminicídio”, proposta pelas deputadas Ana Júlia e Luciana Rafagnin, realizada nesta terça-feira (18), na Assembleia Legislativa teve, como protagonista, a primeira-dama Janja Lula da Silva, que afirmou: “Defender as vidas das mulheres não tem lado ideológico”.

O encontro teve, como objetivo, avaliar os avanços e os desafios no enfrentamento à violência contra as mulheres.
A realização da audiência ocorre em um momento em que o país começa a identificar resultados da articulação nacional contra a violência de gênero, mas também enfrenta o desafio de impedir que o feminicídio continue fazendo vítimas.
Dados mais recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Ministério das Mulheres apontam que o Brasil registrou 741 feminicídios no primeiro semestre de 2026, 2,5% menos que os 760 registrados no mesmo período de 2025. O mesmo levantamento, porém, mostra que o Paraná esteve entre os estados que registraram aumento no período.
A primeira-dama destacou que suas histórias não podem ser esquecidas e que lembrar essas mulheres significa também reafirmar a responsabilidade do Estado em impedir que novas mortes aconteçam.
“Dessas mulheres é para que elas nunca sejam esquecidas, para que possamos honrá-las, para que nós que lutamos contra a violência contra a mulher possamos honrar a vida que essas mulheres tiveram e que foram barbaramente interrompidas”, afirmou Janja.
Ao abordar o perfil dos crimes, ela ressaltou que grande parte dos feminicídios é praticada por homens que mantinham ou haviam mantido relações com as vítimas. “Nenhuma mulher deveria morrer por dizer que não quer mais. Nenhuma mulher deveria morrer por querer seguir sua vida sozinha, se libertar da violência, viver outras experiências, encontrar outros parceiros, ter outro trabalho”, disse.
Para Janja, enfrentar o feminicídio significa agir antes que a violência chegue ao extremo. “É preciso agir antes, é preciso proteger antes, é preciso chegar antes que seja tarde demais”, afirmou, defendendo que a prevenção seja uma responsabilidade compartilhada por todo o Estado.
“ A defesa da vida das mulheres não tem lado ideológico. Contra as mulheres não pode depender de uma única instituição. Executivo, Legislativo e Judiciário precisam trabalhar juntos com metas, integração, orçamento e responsabilidades compartilhadas. Isso aconteceu em nivel nacional e precisa ser repetido em todos os estados, aqui no Paraná principalmente”, afirmou.
A audiência terminou com um desafio que atravessou as diferentes falas: transformar a união entre os Poderes em uma política permanente de Estado. O Pacto Brasil contra o Feminicídio já estabeleceu uma estrutura nacional de articulação. Agora, a tarefa colocada ao Paraná é construir sua própria estratégia integrada, capaz de prevenir a violência, proteger as mulheres e agir antes que a ameaça se transforme em mais uma morte.





